Participação no EDMO: Dois manuais sobre desinformação para aplicar em Espanha e Portugal

O projeto IBERIFIER criou dois manuais sobre o combate à desinformação destinado a formadores e professores, revelou Vítor Tomé, investigador CIES- IUL e membro principal do IBERIFIER, na conferência anual European Digital Media Observatory, EDMO, que decorreu em Bruxelas, dia 13 e 14 de junho.

“Os manuais foram criados por elementos de vários membros do consórcio”, disse. “Foram, depois, partilhadas versões ‘draft’, que foram melhoradas em função dos comentários e sugestões. Agora estão a ser validadas com formadores e professores no terreno”. Após esta fase, serão utilizados nas formações em Portugal e Espanha.

Começaram, entretanto, as formações focadas em fact-checking para jornalistas, disse. Os cursos, que podem ter diferentes durações, de uma hora a oito horas, estão em fase de teste. Em função das reações dos participantes, poderão ser ajustados, e essa informação incorporada nos manuais para formadores e professores.

O investigador apresentou também alguns resultados de dois projetos que inspiraram o projeto IBERIFIER, que estão a ser desenvolvidos em Portugal, nomeadamente, Literacia para os Media e Jornalismo, que consiste na formação de jornalistas que depois formam professores e os acompanham nos projetos escolares; e a Academia de Cidadania Digital, que trabalha com crianças entre os três e os 10 anos, envolvendo professores, família e comunidade.

Vítor Tomé participou no painel “Media and Information Literacy”, em que participaram oito investigadores, entre eles, Sonia Livingstone, da London School of Economics and Political Science. A moderação coube a Sally Reynolds, da Media Learning Association.

Durante o encontro EDMO foi anunciado o novo “Code of Practice” para combater a desinformação, que melhora a obra de 2018. O documento resulta de um trabalho coordenado pela norte-americana Rebekah Tromble, da George Washington University e está conectado com o Digital Services Act, facto que lhe pode conferir maior eficácia, por antecipar a passagem da autorregulação para a corregulação. Prevê, entre outras iniciativas, ainda a criação de um centro de transparência.

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