Comentário: Relação entre a Literacia para os Media, o cidadão informado e o valor das notícias

A propósito do relatório sobre Literacia para os Média lançado a 18 de abril, Gustavo Cardoso sublinha, à RTP, que a obra apresenta muito do que se está passar a nesta área, não só em termos teóricos, mas em termos iniciativas concretas. “Há muita gente a lidar com este problema”, referiu. O documento apresenta mais de 30 iniciativas nacionais que direta ou indiretamente tratam o tema, incluindo práticas que estão a ser desenvolvidas junto de públicos em idade pré-escolar ou junto de séniores.

Este levantamento, elaborado pela equipa do Observatório da Comunicação, OberCom, e pelos investigadores do Observatório Ibérico de Media Digitais e da Desinformação, IBERIFIER, intitulado “Literacia para os media, horizontes conceptuais e mapeamento de atores e iniciativas em Portugal e no mundo”, mostra, por exemplo, que existe uma preocupação comum, e que são muitos os que estão a trabalhar para o mesmo objetivo, explica o investigador principal do IBERIFIER, no programa “3 às 11”, que foi para o ar dia 19 de abril.

Gustavo Cardoso explica porque se torna tão pertinente a literacia para os média. “Se tivermos uma população que consegue compreender melhor o valor da informação, quer para a democracia quer para a economia, isso fará com que as pessoas estejam mais disponíveis para pagar pelas notícias, por exemplo”. No ecossistema em que nos situamos, lembra, “aquilo que hoje temos não é apenas o mundo do jornalismo, é o mundo da informação, e o jornalismo faz parte desse todo”.

A literacia para os média tem também um papel determinante no combate à desinformação e ao ruído que esta provoca. O professor catedrático do ISCTE – IUL lembra que estes problemas não são fáceis de resolver, que a expressão ver para crer não faz o sentido de antes, pois, depende hoje muito mais de quem mostra a mensagem. Daí que as intervenções no campo das atitudes também sejam determinantes. “Se não temos certeza de algo não devemos partilhar a outros sem partilhar a nossa dúvida”.





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