Melhor antídoto é a dúvida

Não aceitar tacitamente a informação só porque foi partilhada por um amigo e consultar fontes credíveis e as fontes das fontes, são algumas das recomendações para evitar os efeitos da desinformação relativa à guerra da Ucrânia, sintetizou Miguel Crespo, coordenador do projeto Iberifier, no programa “Conselho de Guerra”, transmitido pela rádio TSF, no dia 11 de março. O melhor antídoto para a desinformação é a dúvida, sublinhou.

No que se refere a um balanço do que tem sido mais comum acontecer em termos de informação, nos primeiros 15 dias de guerra, sobressai o recurso a fotos antigas de guerra e do conflito na Síria, onde tem sido usado armamento e tropas semelhantes. Em quantidade, têm vindo a circular no mundo Ocidental mais narrativas favoráveis à Ucrânia do que à Rússia e a tendência é aceitar as primeiras.

Isto acontece, explica o investigador do ISCTE, porque prevalece o mecanismo de validação sobre o que vai ao encontro das nossas posições, e essa particularidade justifica, aliás, o êxito da desinformação. “O Ocidente tomou o lado da Ucrânia, provavelmente com razão, e isso afeta o que aceitamos como verdade ou mentira”.

No mesmo programa, Luís Filipe Simões, presidente do Sindicato dos Jornalistas, manifestou-se contra a suspensão da transmissão dos dois canais russos na Europa. O bloqueio, defendeu, tornou o trabalho dos jornalistas mais difícil, uma vez que deixaram de ter elementos para relatar aquela parte da narrativa.

Otros artículos

Livro: pesquisas sobre os desafios que se colocam ao “podcast” e aos novos negócios

Dois artigos portugueses integram o livro "IWEMB2020, Fourth International Workshop on Entrepreneurship, Electronic and Mobile Business", dedicado aos novos formatos a explorar no jornalismo e comunicação. A coordenação coube a Stephan Bohm e Sig...

Literacia no terreno: jornalistas e professores juntos e jogos com notícias falsas

Vítor Tomé explicou no Webinar "Media Literacy in Practice", que decorreu a 16 de novembro, as particularidades dos projetos de literacia mediática que estão a ser desenvolvidos em Portugal e Espanha. Em Portugal, as...

Cidadãos partem das notícias dos jornalistas mas acrescentam-lhes informação

Os indivíduos não produzem jornalismo no sentido tradicional mas podem acrescentar elementos à informação e ganhar conhecimento acerca da notícia. Esta foi uma das conclusões proferidas por Miguel Crespo, coordenador do projeto IBERIFIER, durante...

Fazer literacia dos média apoiando professores e a partir da participação da comunidade escolar

Os professores começam por oferecer resistência às iniciativas de literacia por causa de duas razões: primeiro, temem que as lições interferiram no programa e no encadeamento das matérias planeadas; segundo, receiam não ter conhecimentos...

Estar informado significa encontrar o que se precisa sobre o que está a acontecer

No século XXI mudou a percepção sobre o "estar informado", começou por explicar Gustavo Cardoso ao programa "45 Graus", conduzido por José Maria Pimentel. No século passado significava estar atento às notícias, mas no...