Geração Z e desinformação: “Informo-me nas redes sociais mas a partir das notícias dos jornais”

Um dos alunos de Comunicação Social que participou no Webinar “Conteúdos Manipulados? Tenta outra geração” explicou que quando se informa através das redes sociais prefere as páginas dos jornais, e, acrescenta, sempre que pretende uma informação credível vai à sua procura nos sites dos meios de comunicação. Luís Mendes reconhece que essa necessidade de atenção extra sobre determinados conteúdos pode não ser transversal aos jovens que integram a sua geração. Identifica também a existência de desinformação especificamente criada para atingir a sua faixa etária.

O jovem aluno da Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Viseu, IPV, participou na sessão online subordinada ao tema “Como a geração Z enfrenta a desinformação”, organizada pelo Observatório Ibérico de Média Digitais, IBERIFIER, no dia 4 de junho, que reuniu também alunos do Instituto Superior Miguel Torga, de Coimbra.

“Informo-me pelas redes sociais, mas vejo as notícias dos jornais que estão nas redes sociais”, declarou Luís Mendes. “Agora, quando pretendo informação credível é sempre aos jornais que a vou procurar”. Para Mariana Santos, outra das estudantes do IPV que participou no “webinar”, “há ainda muitos jovens que confundem redes sociais com órgãos de comunicação social”. Isabel Lima, aluna do curso de Jornalismo do ISMT, concorda: “No Instagram, no TikToK e Twitter, vemos perfis que parecem profissionais que estão a partilhar conteúdos que não são verdadeiros”.

Rafael Franco, estudante do ISMT, outro dos convidados, diferencia ainda a plataforma X, que, no seu ponto de vista, é o espaço digital onde circula mais desinformação. Rafael acrescenta ainda: “O problema não é só a desinformação em si, mas o facto de muitos jovens não fazerem qualquer verificação antes de acreditar ou partilhar”.

Todos os participantes reconhecem que a sua formação na área da Comunicação e Jornalismo lhes permitiu desenvolver um maior espírito crítico. No entanto, admitem que a maioria dos seus pares não possui as ferramentas necessárias para distinguir informação factual de manipulação ou opinião. Isabel Lima defendeu que a literacia mediática devia constar dos currículos escolares desde cedo.

A partilha de desinformação pelas redes de Whatsapp, onde é mais facilmente aceite por chegar através de pessoas próximas, e dos desafios colocados pela Inteligência Artificial, IA, foram também debatidos pelos estudantes do Ensino Superior. Isabel Lima propôs que a IA seja usada para combater a desinformação.

A moderação foi assegurada por Miguel Midões e Dina Margato, professores dos cursos de Comunicação Social e Jornalismo. O IPV é uma das instituições que integra o Observatório IBERIFIER nesta sua segunda fase.

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